Às vezes, em meio à loucura, paro. Bem no meio da correria. Paro e tudo perde o sentido. A rotina tão óbvia e natural de repente é absurda, vã e estúpida. Era tão simples, automática, e agora pesa chumbo. Tudo por ter parado um minuto. Por ter pensado. Nem desejado, sequer. No passado, a liberdade era um sonho. E hoje, sei: o que restaria? O que, no lugar de toda essa patética certeza, fiel, presente e confiável?
Teria nada e teria de tudo. Qualquer coisa. E o peso, então, multiplica-se pelo infinito. O que é realmente insustentável?
Tudo isso só num minuto. As correntes se afrouxaram. Quase desabo. Daqui, o abismo parece mesmo sem fundo. Não é desta vez que vou descobrir. Agarro-me às correntes, uma vez mais.