Curioso como pedalar uma bicicleta é paradoxal. Ao mesmo tempo é preciso se atirar e estar guiando. Precisa saber como fazer, mas não pensar muito nisso. Se tentar controlar demais, se dana. Existe uma técnica sim, mas ela precisa coexistir com um certo abandono, especialmente no primeiro impulso. E existe também uma certa simplicidade para que ela ande. Porque apenas uma ação permite isso – não parar.
Ainda assim, há momentos em que caio num ziguezague, e às vezes consigo controlá-lo, outras não. E ir ao chão com toda a força foi uma das sensações mais gostosas que experimentei.
Sei agora a angústia que os ciclistas passam nessa cidade, como somos enjaulados aqui no Rio. É um aperto muito grande, que ninguém deveria passar na vida.

